De terremotos para enchentes

Um dia qualquer. Ajudando a colocar o almoço da criançada na escola. Distraída… Uma máquina brutal trabalhando no solo. Tudo treme. Que força!  O chão todo… não só o chão, mas a mesa também… Gente, que máquina potente é essa? Não ouço ela, mas sinto sua potência reverberar dentro de mim. Perco a referência no meu olhar. Olho pra trás. Não há máquina, mas pessoas correndo pro lado de fora do prédio da escola. Tudo treme com mais força agora. Não é uma máquina, é a terra. A terra tá tremendo. O mundo tá tremendo. Meu mundo tá tremendo. Minhas idéias estão tremendo. Minhas pernas não tremem. Corro pra fora, perto do campo de futebol, e faço como todos: olho para o prédio da escola e espero com esperança. Os outros, como formigas abandonando o formigueiro. Algumas crianças adorando, outras apavoradas. Me mantenho calma. O instinto de sobreviver é mais forte e não me deixa amedrontar. 20 segundos. Minutos depois percebo o que aconteceu e a gratidão me domina. Está tudo bem. Lágrimas nos meus olhos… Muito bem, obrigada.

Esse foi o terremoto que aconteceu dia 13 de outubro, na ilha toda de Bali. Tendo seu foco como 6,8 na escala Richter.

Não mudei agenda, rotina nem planos por conta do acontecido. Mas mesmo assim minha temporada balinesa esta chegando ao fim. Por conta de burocracias de visto.

Minha partida está para o dia 31 desse mês.

Desembarco no sul da Tailândia, naquelas “praias-cartão-postal” ou aquelas das listas dos lugares que você precisa conhecer antes de morrer.

Chove na Tailândia. Dilúvios e dilúvios. Sem fim.
Templos que vi majestosos e em paz, estão submersos ao menos até a metade. Triste. Violentados pela água. (Na região central, agora em direção à Bangkok.)

A força da natureza. Um imenso respeito.
Peço permissão.
Vai estar tudo bem.

(Me sinto quase ridícula dizendo que a natureza nos violenta quando comparado ao que nos fazemos com ela.)

De terremotos para enchentes.
De Bali para Tai.

Por que voltar pra Tailândia?

Eu tenho um ótimo motivo!
Me inscrevi no curso que tanto queria sobre culinária vegetariana tailandesa.
O curso é residencial numa fazenda orgânica chamada Pun Pun, que tem um projeto lindo de banco de sementes (guardam e cultivam espécies vegetais em extinção e indígenas, além das comuns). Vou ficar quase 1 mês nessa imersão zen, praticando yoga todo dia, desplugada da  internet e aprendendo muito sobre o que mais amo! O nome do curso é Food matters, traduzido para ‘Comida importa’, por causa do documentário de mesmo nome. Vou morar numa barraquinha de bamboo com direito a chuveradas com água da montanha (FRIA)! Vou aprender: culinária thai veggie (eu já disse, eu sei! é só enfatização), alimentos curativos, utilização e construção de um forno a lenha, produtos fermentados (vinhos, kombucha, vegetais), tofu caseiro e técnicas de cura com lama, água e calor.  Além da parte culinária, vou aprender muitas coisas do convívio dessa comunidade alternativa, como: técnicas de compostagem, bio-fertilizantes e pesticidas naturais, colheita e teorias do banco de sementes e permacultura.

Ai, que feliz!

2 comments

  1. Renata amaral

    Cada vez mais sinto o desenvolver da Carol, a curiosidade que faz despertar novas ideias enchendo os olhos, a boca e o coração com o que tem degustado nessa viagem pra Asia! Vai Carol, Degusta!!!!!

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